
Homenagem a Paulo Freire
Madalena Freire
Falar de Paulo Freire pai, é por uma lado um desafio à profissional Madalena Freire e por outro, uma alegria à filha, Madá. Tentarei aqui misturar as duas ...
Lembranças dele tenho inúmeras. Selecio-nar o que de mais forte nesses últimos meses torna-se difícil ...
Primeiramente a constatação da morte, ausência não existe como tal. Ele não está ausente... mas ao mesmo tempo está. E aqui algo que ele sempre dizia é o que me leva, a uma constatação rara: "educador cumpre seu papel quando fica nos outros." Como forte também ficou e está: "o ato de educar se dá sempre na solidão da decisão". E ele sabia vivê-la bem, desfrutando desse momento toda sabedora.
O afeto sempre foi para ele algo vital em todas suas relações: com o conhecimento, com os filhos, com os outros. Acredito que por isso mesmo ele não conseguiu relacionar-se com ninguém sem que buscasse um contato, um toque no ombro, no braço, na mão ...
O querer bem, o amor regiam sua interação com o mundo. Muitos poucos lhe entenderam (ou ainda não entendam) sobre essa sua convicção "é preciso querer bem para educar, aprender e ensinar".
Penso que era essa capacidade de amar que lhe dava possibilidade intensa de educar sua "paciência impaciente". Sempre com aqueles olhos de menino curioso, incansável diante do novo, do conflito, do que não conhecia.
Estava sempre pronto à "mil" viagens, encontros, cursos... (e eu me perguntando: como pode? Tem mais energia que nós, seus filhos!?)
E foi sempre essa curiosidade que o manteve vivo até os últimos instantes de vida, e querendo sempre superá-la.
Contudo seu último desejo não pode ser atendido... "Queria romper o século! Só faltam 3 anos!" Isso ele não conseguiu. Fica a nós presenciá-lo, testemunhar por ele no nosso exercício de educadores.
Fica para nós o desafio e a responsabilidade de continuar o sonho. Sonho de uma educação e uma pedagogia da construção de um sujeito autor do conhecimento e história.
Desafio de prosseguir com seu "jogo", energia, paciência, tolerância, olhando o mundo com aqueles olhos esverdeados do mar do Recife. Olhar de menino curioso, apaixonado por aprender o mundo.
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