
Ser sensível
Mirian Celeste Martins
Quando Rodin esculpiu o famoso Pensador selecionou, entre infinitas possibilidades, um gesto que poderia expressar o sentido do pensar. Um olhar sensível descobrirá que todo o corpo humano está pensando. Há tensões desde o pé. A torção corporal revela o turbilhão de imagens, conceitos e sentimentos que envolvem este pensar.
Rodin nos fala através da linguagem da arte. Expõe seu modo singular de estar frente ao mundo da realidade e da imaginação. E só pode fazê-lo porque está mergulhado no universo simbólico, carregado de suas referências pessoais e culturais.
O pensamento, o sentimento e a percepção frente à realidade vivida, inventaram a arte como linguagem, como uma fala não só de palavras. Assim, música, dança, desenho, pintura, escultura, teatro, jogos dramáticos, ornamentos, contos, são algumas das formas que o homem encontrou para falar do mundo e de si mesmo.
Este espaço da criação e da sensibilidade, contudo, nem sempre está aberto e disponível, minado muitas vezes pelo preconceito ou resistências. É preciso desvelá-lo e ampliá-lo com novas e ricas vivências, desafiando a imaginação criadora, a percepção estética, o pensamento projetante.
Na formação de educadores, o espaço da Prática Estética tem oportunizado encontros sensíveis que, se nascem na construção de um olhar mais sensível e pensante, o ultrapassam na percepção de todo o ser, seja adulto, criança ou adolescente. Estudando o processo criador e seu desenvolvimento, investigando a construção do conhecimento da arte, pesquisando o pensamento verbal, visual, sonoro e corporal que se expressa e os códigos das linguagens artísticas, resgata-se a sensibilidade e a subjetividade no encontro afetivo e cognitivo com a arte.
Encontros que se nutrem na diversidade e na troca. Afinal, há muito mais para aprofundar no contato com as obras, não só a de Rodin...
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