
O futuro promete!
Fátima Camargo
Há muito que o futuro da escola, melhor dizendo, da grande maioria dos alunos por ela formados, vem preocupando parcela significativa de pais e educadores. As questões referentes ao processo de ensino e aprendizagem, tanto quanto as questões curriculares tem ocupado espaço de reflexão em instituições públicas e privadas de educação na mesma medida em que mobilizam iniciativas oficiais.
São tempos de mudanças, produzidas e vividas na velocidade da luz! A dinâmica da vida econômica e do mundo do trabalho hoje implicam na necessidade de uma formação diferenciada daquela por nós conhecida no passado. O homem que deve ser formado pela escola deve saber pensar e agir com autonomia, desafio para cada educador que o acompanha ao longo da escolaridade.
Formar assim é então entendido como recurso à vida futura, possibilidade de realização pessoal e profissional, enquanto se tenha assegurado condições ao educando de aprender a aprender, tanto quanto de buscar saídas para os próprios problemas. O acúmulo de informações, em si mesmas importantes, não responde às necessidades desta formação e nem tampouco uma escola atrelada a padrões curriculares e metodológicos ultrapassados, poderá cumprir este desafio.
Promulgada em 26 de dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei Federal no 9. 3 94, atende às demandas sociais da atualidade, na medida em que manifesta clara preocupação com a qualidade da formação dos educandos. Esta preocupação não implica na imposição de um modelo único e grades curriculares pré determinadas. Bem ao contrário, a LDB concede autonomia às instituições de ensino no sentido de poderem definir seu projeto pedagógico amplamente, como também o sistema do ensino, o que em si já indica a possibilidade de uma maior adequação das propostas à realidade das comunidades às quais se destinam.
Ter por objetivo formar o aluno integralmente, levando em conta seus conhecimentos ao mesmo tempo em que se conhece suas possibilidades tanto quanto suas necessidades, exige a presença de um educador bem formado e portanto capaz de ensinar com respeito e qualidade qualquer um de seus educandos. A lei o contempla não só por definir a formação acadêmica para todos os profissionais dentro do prazo de dez anos mas, sobretudo, por reconhecer a imperiosa necessidade de tempo reservado para o estudo em serviço, através da reflexão, planejamento e avaliação da prática cotidiana. Pode-se entender este aspecto como a valorização da troca e interação sistematizada entre os educadores garantindo maior possibilidade de coesão em torno de um projeto de equipe. Ainda em relação aos educadores estão previstos em lei, o piso salarial, plano de carreira e progressão funcional, o que sem dúvida, assegura direitos substanciais aos mesmos.
Na direção da busca da melhoria do ensino nas escolas brasileiras e da formação básica para o pleno exercício da cidadania, e em consonância com o espírito da LDB, os Parâmetros Curriculares Nacionais já publicados, contemplando as séries iniciais, ou em fase de finalização para a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, constituem a base nacional curricular comum sobre a qual se poderá assentar cada projeto pedagógico particular, já que em nenhum sentido deixa de haver espaço de flexibilidade para a formatação dos mesmos. Na apresentação dos conteúdos ou na metodologia proposta, a orientação que prevalece em todas as áreas é aquela que diz respeito à valorização do educando em todas as suas aprendizagens e formas de
expressão, à consolidação dos valores sociais de reciprocidade e respeito, à construção de atitudes responsáveis e autônomas de ser, fazer e pensar o que pode, se efetivamente trabalhado, conferir a todos os direitos inalienáveis à condição de serem considerados cidadãos.
Em síntese, parece que estamos na trilha da revitalização do espaço escolar como terreno propício à reflexão de educandos e de educadores. Recuperar o diálogo e o respeito, a capacidade de pensar e de comprometer-se do aluno parece ser tarefa imprescindível. Embora possamos num outro tipo de análise identificar equívocos e formular críticas, é necessário admitir a qualidade e pertinência das propostas oficiais. Se as mesmas serão exequíveis só o futuro dirá. De todo jeito ele parece promissor. Dependerá, em boa medida, da crença que depositarmos nele e em nós mesmos.
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