
O estudo sobre a prática cotidiana
Fátima Camargo
Teorizar a prática que desenvolvemos na nossa ação cotidiana é fazer dela objeto de nossa reflexão e estudo permanente. A procura pelos livros, pela teoria que algum outro pesquisou e apresentou nos servirá de suporte caso tenhamos, para nós mesmos, formulado idênticas questões. É portanto aquilo que fazemos cotidianamente que informará nossa pesquisa. Seu objeto de estudo estará nas escolhas dos conteúdos que propomos para a situação de ensino, na sequência em que os apresentamos, nas orientações metodológicas pelas quais optamos, nas respostas dadas por nossos educandos às intervenções que encaminhamos junto a eles.
Viver este processo de revisão da prática pedagógica junto com outros educadores, ocupados ou não com idêntica faixa etária ou área do conhecimento, constitui oportunidade de alargamento das fronteiras de nossa reflexão individual.
É no grupo, do tamanho ideal à socialização das diferentes experiências profissionais de ensino, que podemos aprender mais e melhor. As trocas e interações permanentes não são valiosas só para as crianças em fase de desenvolvimento mas a qualquer um que se disponha a aprender. Aprender com o outro significa acrescentar sua fala, seus saberes e dúvidas ou suas divergências ao nosso acervo individual de conhecimentos expandindo-o. Assim como nossa consciência, também sobre as ações práticas, constituída pela parceria com os outros que nos habitam.
Através deles, orientado por um educador que do grupo se ocupa, podemos apurar nossa sensibilidade para olhar nossa ação, para entender melhor aqueles que ensinamos. Pensar a prática se fará no aguçamento dos sentidos que nos permitam recriá-la sempre de maneira significativa para nós e nossos educandos.
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