
Olhar vestido de véus
Sirlene Bendazzoli
Observar não é olhar, mas fazê-lo intencionalmente. O nosso olhar nunca é insento: observamos com o olhar da nossa cultura, da nossa profissão, da nossa idade; enfim, sobre nosso olhar há os véus de todas as teorias e valores que acolhemos e com os quais construímos nossas vidas.
Sendo tão marcado culturalmente, o olhar não vê "tudo o que acontece". Selecionamos o que nos desperta interesse, quer seja pela familiaridade ou pelo estranhamento.
Aquilo que destacamos como relevante queremos registrar: buscamos as palavras rapidamente, organizamos uma estrutura para as frases, para o texto, deixamos expressos o que vimos e ouvimos de maneira clara e objetiva. Afinal o observador está fora da situação! Está mesmo? O seu olhar, o seu ouvir, o seu escrever, não estão compromissados com sua história de vida, sua formação intelectual , estética, moral?
Já que nosso olhar está "vestido" de tantos véus e é ilusório que se possa observar a "olho nu", a tarefa primeira do observador é explicitar o lugar de onde fala.
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