
Os vínculos na relação educativa: planejando o implanejável?
Juliana Davini
Falar em planejamento das interações humanas parece até uma incorreção : como, sendo o homem tão complexo e imprevisível, poderemos planejar reações, intervenções e atitudes ?
Com certeza seria uma incorreção, caso partíssemos da vontade de controlar as intempéries, de uniformizar os desejos, de planejar as relações afetivas. Mas, se conhecemos como se formam os vínculos, se sabemos em quais momentos as pessoas se fragilizam, se temos experiência e identificamos os conflitos inerentes à vida de grupo, podemos nos preparar para enfrentar os problemas, o que não é a mesma coisa que extirpá-los.
Este preparo trata-se principalmente de uma "arrumação" interna, onde deve constar em primeiro lugar o conhecimento dos conflitos psicológicos existentes na relação educativa. Depois a implicação, ou seja, uma posição subjetiva de responsabilidade na construção do vínculo e não uma postura projetiva, onde a culpa dos erros é sempre depositada no outro. É preciso também saber escutar. Escutar as necessidades, os limites, os desafios de cada situação.
O objetivo desta "arrumação" é conhecer a si para tentar conhecer o outro. Arrumar para ousar aberturas aos novos desafios, exercitando a coragem de enfrentar os ruídos. Ruídos que desvelam as relações afetivas subjacentes como rivalidade, jogo de poder, inveja, medo, insegurança e etc. Arrumar-se para descobrir tudo isto em si, no outro, no grupo, não é tarefa fácil. Arrumar-se para ver, deflagar e mudar é o planejamento a ser inventado.
Já imaginaram como as dificuldades podem ser grandes para aqueles que chegam neste meio, "desarrumados" ?
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