
Eu me lembro uma vez...
M. Tereza Carvalho
Num primeiro momento, instigamos o trabalho da memória: buscar na própria história aquilo que hoje faz parte do seu perfil de educador, para que, além de contribuir para a formação de um olhar crítico da prática, se aguce a escuta do outro.
Depois disso, é interessante o que se observa: a memória não precisa mais ser provocada, ela passa a ser instrumento freqüente de trabalho e investigação do educando no trabalho de formação de educadores. Quando iniciamos o estudo sobre a criança e suas representações, lembranças surgem, ou melhor, irrompem a cada aula ou reflexão escrita. Pensando psicanaliticamente, isto acontece por ter se estabelecido entre coordenador e alunos, uma relação de transferência, um campo onde as experiências vividas podem ser reeditadas e ressignificadas. São lembranças vindas de diferentes contextos: da própria infância, da família atual, da infância com a qual se trabalha como educador, que de acordo com o desenvolvimento das aulas, se alternam e progridem direcionando-se para o campo de trabalho.
Recordações que surgem para esclarecer conceitos teóricos, para questionar atitudes de professor, clarear as ações da prática, ou simplesmente compor e ilustrar as aulas.
Sabemos que por ser resultado de processos inconscientes e portanto, atemporal, a memória não é linear e nem constante. Ela inventa, cria, remonta o passado. Porém , isso não representa um perigo de inconsistência nesta formação pois nosso papel é problematizar cada fragmento dessas lembranças, sejam elas reais ou imaginárias, colocando-as em outra posição; ou seja, construir uma consciência coletiva que tenha a riqueza da singularidade de cada educador.
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