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  Adaptação: vivência em três dimensões...

M. Teresa Carvalho

Sempre que se fala em vivenciar o novo, em passar a fazer parte de um novo contexto ou grupo, fala-se em necessidade de adaptação. Idéia que tem sido bastante valorizada nos últimos tempos, adaptação não se restringe ao período de entrada de crianças pequenas em creches e escolas. Outras situações merecem a atenção dos programas educacionais: Grupo de alunos reconfigurado no início do ano, professor novo, implementação de novas políticas de educação, mudanças nas estruturas institucionais, acontecimentos inesperados que invadem o cotidiano escolar e seu meio. Enfim, cada um , em sua realidade específica, tem uma história para contar. Sem falar em idéias mais universais como crise econômica, catástrofes sociais, bug do milênio, descobertas científicas, que invadem nosso imaginário e dia a dia, impactando e influenciando nossa prática profissional.
O que existe de comum, são as idéias de tempo e processo, inevitavelmente associadas ao conceito de adaptação. Idéias às quais devemos nos apoiar.
Do tempo, sabemos que é "a sucessão dos anos, dos dias, das horas, que envolve, para o homem, a noção de passado, presente e futuro". Pensar em tempo de adaptação, é pensar no próprio tempo. Sem entrar na dimensão filosófica desta idéia, é possível associar cada uma dessas instâncias ao desenvolvimento de nossos projetos. A bagagem do tempo faz parte da construção de nossa prática pedagógica.
Do passado, importante resgatar a história particular dos alunos e suas famílias, saber quem são, ouvi-los em suas expectativas e procurar inseri-los, na medida do possível, como parceiros da escola. Separar-se de seu grupo primário a família seus entes queridos, pode gerar medo e muita ansiedade na criança, mas se feita com cuidado, é fator criativo de crescimento. O conhecimento mútuo, sem pressa, é instrumento fundamental para o estabelecimento de vínculos consistentes, base para uma boa relação entre os pares - professor-aluno, creche-família, coordenação-funcionários de diferentes setores, etc. Também inclui-se nesta dimensão do tempo, o esquema referencial de cada educador, ou seja, "o conjunto de experiências, conhecimentos e afetos com os quais o indivíduo pensa e atua". Saber considerá-los e incluí-los no processo de trabalho, possibilita a integração entre os membros do grupos.
Do presente, destacamos as ações da prática e o trabalho em equipe. A tradução do planejamento - transformar teoria em prática - muitas vezes inclui diversidades e urgência de reorganização. E com isso, a constante adaptação às condições reais de trabalho. Dos transtornos com mordidas de crianças e outros "acidentes", aos entraves burocráticos, adaptação significa, antes de tudo, flexibilidade. Figura ainda aqui, a valorização da troca constante nos relacionamentos interpessoais. O novo não é só quem chega, mas a cada instante, a surpresa de descobrir-se no outro.
Do futuro, valorizamos a avaliação permanente das estratégias utilizadas - reuniões, entrevistas, atividades lúdicas, etc. - e a projeção de metas a serem alcançadas. Com isso, a possibilidade da coerência.
Retomamos enfim, a idéia de processo, que, entendida como sucessão de mudanças, pode ser amarrada a idéia apresentada sobre o tempo. Ambas imperam em seu caráter dinâmico.
Adaptação, portanto, não é estanque, é movimento. Não é apenas a dor da separação, mas a gostosa ansiedade do encontro.
O novo não é só quem chega, mas a cada instante, a surpresa de descobrir-se no outro.


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