O corpo existe e pode ser pego.
O corpo tem alguém como recheio.
Arnaldo Antunes
O corpo escolar. Na definição didática clássica - cabeça, tronco e membros. Corpo masculino, corpo feminino. Qual o espaço do corpo na escola? Há um corpo imposto para o universo escolar? Corpo disciplinado? Corpo controlado? Corpo que fica sentado, operando somente pelo ritmo da mão que escreve? A boca calada? O olhar fosco que não olha para os lados?
O corpo presente no espaço escolar. E são tantos... Cada um com sua história específica, com sua gramática corporal, respirando, pulsando, pensando, sentindo, movimentando com gente dentro.
A crença na dualidade mente e corpo, razão e sentimento, presente na tradição do pensamento ocidental encorajou um desprezo pelo corpo na escola. hoje, sabemos que o cérebro pensa porque o corpo lhe jorra conteúdos essenciais, alianças cognitivas com o que nos envolve no meio circundante. Pela mediação do corpo, as emoções participam da racionalidade. Cérebro e corpo se embricam, não havendo controle de um sobre o outro, como afirma o teórico António Damásio.
Porta de entrada de todo e qualquer conhecimento, o corpo celebra o saber, o prazer, a criatividade e o humor.
Nesta perspectiva, nossa responsabilidade de educadores começa, certamente, pela adaptação à essa mudança de paradigma. Para isso, é indispensável repensar, questionar e aprofundar sobre a função, o papel e os reflexos do corpo no ensinar e aprender.
Quem sabe, se partindo de uma concepção anti-cartesiana: existo e sinto, logo penso; recuperamos na escola aquela rara sensação de felicidade inexplicável, que se torna física e que nos modifica quando alcançamos o saber. Eureca!