A melhor sala de aula será um
espaço onde se encontrem reduzidas as diferenças entre alunos e professores,
onde a distância entre os atores da cena pedagógica esteja a tal ponto
diluída que indique uma igualdade no que se refere as relações de poder?
Estariam por sua vez, os alunos,
aptos a esse nível de compartilhamento na tomada de decisões e na manutenção
dos processos vividos e a viver?
Queremos crer que não, em ambos
os casos, por entendermos que repouse no papel a ser exercido pelo educador
a função de autoridade responsável pela constituição do coletivo do trabalho
pedagógico, entendendo-a como aquela que detém o conhecimento e sabe como
constituí-lo no educando, assim contribuindo para torná-lo autônomo para
estar no mundo.
Fazer com que a classe "dê certo",
com que todos encontrem e ocupem o seu espaço individual de participação
co-responsável pelo curso do trabalho de produção de conhecimento é função
do educador, e esculpe o perfil da sua autoridade frente ao grupo de crianças
e adolescentes.
A relação de cuidado, atenção
e acolhida ao grupo, só pode existir se edificada sobre bases sólidas,
sobre os pilares de uma autoridade que conhece o objeto de sua ação e
que a planeja minuciosamente para alcançar o outro.
Aí se desvela a outra face do
poder, não aquela associada à opressão e ao desmando, que cala e aliena
muitos através da ação desmedida de um único protagonista.
O poder ao qual nos referimos
é aquele que se encontra a serviço do outro, a favor da sua emancipação.
Um poder que não coisifica, que não transforma o outro em objeto, mas
antes, o promove como sujeito.
Uma vez conhecedor de sua força,
de seu poder, em lugar de negá-lo, cabe ao educador transformá-lo em instrumento
de libertação do educando, através da relação questionadora que consiga
instaurar e manter entre os alunos e o conhecimento, como entre aqueles
e si mesmo.
O uso ético do poder pelo educador,
estando a ética aqui aceita, exclusivamente, como orientadora da ação
política para a emancipação, é instituinte da condição crítica e problematizadora
dos educandos frente a realidade. No espaço da sala de aula, servirá assim
à manutenção da participação de todos, ao estabelecimento das tarefas
e dos processos investigativos, à avaliação das ações necessárias à continuidade,
servindo de estímulo e energia para a organização do fazer coletivo.
Na realidade, essa ética exige
o cuidado, a vigília e dedicação atenciosa e permanente do educador aos
processos do grupo e de cada um, tendo por objetivo a conquista da emancipação
de todos.