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  Os limites do poder: a ética da autoridade na educação

Fátima Camargo

A melhor sala de aula será um espaço onde se encontrem reduzidas as diferenças entre alunos e professores, onde a distância entre os atores da cena pedagógica esteja a tal ponto diluída que indique uma igualdade no que se refere as relações de poder?
Estariam por sua vez, os alunos, aptos a esse nível de compartilhamento na tomada de decisões e na manutenção dos processos vividos e a viver?
Queremos crer que não, em ambos os casos, por entendermos que repouse no papel a ser exercido pelo educador a função de autoridade responsável pela constituição do coletivo do trabalho pedagógico, entendendo-a como aquela que detém o conhecimento e sabe como constituí-lo no educando, assim contribuindo para torná-lo autônomo para estar no mundo.
Fazer com que a classe "dê certo", com que todos encontrem e ocupem o seu espaço individual de participação co-responsável pelo curso do trabalho de produção de conhecimento é função do educador, e esculpe o perfil da sua autoridade frente ao grupo de crianças e adolescentes.
A relação de cuidado, atenção e acolhida ao grupo, só pode existir se edificada sobre bases sólidas, sobre os pilares de uma autoridade que conhece o objeto de sua ação e que a planeja minuciosamente para alcançar o outro.
Aí se desvela a outra face do poder, não aquela associada à opressão e ao desmando, que cala e aliena muitos através da ação desmedida de um único protagonista.
O poder ao qual nos referimos é aquele que se encontra a serviço do outro, a favor da sua emancipação. Um poder que não coisifica, que não transforma o outro em objeto, mas antes, o promove como sujeito.
Uma vez conhecedor de sua força, de seu poder, em lugar de negá-lo, cabe ao educador transformá-lo em instrumento de libertação do educando, através da relação questionadora que consiga instaurar e manter entre os alunos e o conhecimento, como entre aqueles e si mesmo.
O uso ético do poder pelo educador, estando a ética aqui aceita, exclusivamente, como orientadora da ação política para a emancipação, é instituinte da condição crítica e problematizadora dos educandos frente a realidade. No espaço da sala de aula, servirá assim à manutenção da participação de todos, ao estabelecimento das tarefas e dos processos investigativos, à avaliação das ações necessárias à continuidade, servindo de estímulo e energia para a organização do fazer coletivo.
Na realidade, essa ética exige o cuidado, a vigília e dedicação atenciosa e permanente do educador aos processos do grupo e de cada um, tendo por objetivo a conquista da emancipação de todos.


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11. Diálogos Formadores
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